Eu sei, a crise também chegou à sua casa, tou certa? Na minha também. E na de um monte de gente que eu conheço. Eu sei, o stress tá bombando e você anda sem cabeça pra transar com tanta conta pendurada, né? Também sei coméquié! Você não está só.

Helder Santos e Camilla Loyolla, que estão juntos há 10 anos, sentiram o casamento estremecer diante dos maus ventos financeiros e encontraram uma maneira criativa (e genial) de atravessar a fase ingrata sem perder o tesão: criaram a tirinha de humor Casal na Crise, onde compartilham os perrengues que estão vivendo e as soluções que encontram para enfrentar as adversidades (toda semana tem tirinha nova na página do facebook). Dá pra rir, se identificar e se inspirar. Até porque pode até faltar mamão papaya e cerveja gourmet, mas certas coisas não podem faltar nunca:

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Não custa lembrar do que é essencial nessa vida!

Eu bati um papo por email com Camilla e Helder, e eles me contaram tudo sobre o Casal na Crise. Confira a entrevista super divertida!

Erosdita: Como surgiu a ideia de criar o Casal na Crise?

Helder: Um dia a gente estava bêbado em casa reclamando que a vida estava difícil, debatendo a questão da crise, que ninguém falava sobre o assunto direito, e sobre o reflexo no cotidiano e até na vida íntima das pessoas. E aí, em cima das nossas próprias experiências, a gente resolveu colocar isso pra fora, como um desabafo e uma forma de tiração de onda.

Erosdita: Como é o processo de criação? Vocês criam as tirinhas juntos? Quem desenha? Todas as situações são reais? É a primeira vez que vocês trabalham juntos?

Camilla: Nós nos conhecemos trabalhando um programa de tv, e depois aconteceu de trabalharmos juntos em outras produtoras. Dirigimos um videoclipe juntos (Banda Eddie com participação de Karina Buhr – “Eu tô cansado dessa merda”), e temos também alguns outros projetos pessoais nossos. A gente discute, se altera, mas dá certo no final rs. O processo de criação varia, às vezes um traz uma ideia, ou surge algo legal enquanto conversamos, ou a gente senta pra fazer um brainstorm. São situações da nossa vida mesmo, com alguns exageros aqui e ali pra trazer mais humor. Nós escrevemos o roteiro juntos e vemos se damos risada. Esse é nosso crivo, se não acharmos graça jogamos fora e começamos do zero. Depois pensamos no layout e nos enquadramentos, tiro algumas fotos de referência de poses e expressões e é o Helder, claro, quem desenha. Depois afinamos juntos antes de postar.

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Romantismo em meio à crise: temos!!! Até porque contemplar a lua é de graça, não se esqueça!

Erosdita: Falem um pouco de vocês dois… é a primeira crise econômica que enfrentam?

Helder: Estamos juntos há 10 anos e já passamos por outros momentos difíceis de falta de grana. O último foi por conta de uma iniciativa minha de tentar trabalhar menos com design e publicidade para dedicar mais tempo ao meu trabalho como artista plástico e escritor, que é algo difícil no Brasil. Mas agora a questão é outra, mesmo tendo que recuar um pouco nesse ideal para pagar as contas, a gente vê que houve uma mudança real no nosso mercado de trabalho, os cachês são os mesmos de anos atrás, as exigências são maiores, muita gente perdeu o emprego. É mais grave.

Erosdita: De que maneira a crise econômica afeta a vida sexual? Dá pra ter tesão com a conta no cheque especial? Em 2011, quando Portugal atravessava uma crise braba, eu investiguei essa questão pelas ruas de Lisboa e lá o pessoal afirmou que a falta de grana não necessariamente gera uma crise sexual. Vocês concordam? (vejam o vídeo aqui)

Helder & Camilla (fomos complementando as respostas um do outro, e saiu essa rs): Acho que a simples falta de grana não gera crise sexual, mas a crise econômica gera depressão, estresse, frustração. E isso inibe o sexo. Se você está com a cabeça no cheque especial, nos juros, no IOF, no aluguel que vai vencer, é broxante. Você fica sob pressão e o cérebro entra num modus operandi de solução de emergências, totalmente focado. O sexo é escanteado por ele. É difícil você entrar no clima e ter tesão quando tem coisas básicas de sobrevivência em jogo. O desafio é saber respirar fundo, abrir espaço pro sexo acontecer e lembrar o quanto é importante física e psicologicamente pro casal, porque ele aproxima os dois, relaxa, diverte. E combate o estresse, olha só.

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Olha que lindeza esse casal! Ele: pernambucano, desenhista e escritor. Ela: paulistana e assistente de direção de filmes e programas de tv. <3 <3 <3

Erosdita: Como a crise econômica afetou vocês? Alguém perdeu o emprego? Como tá a vida profissional de vocês nesse cenário?

Camilla: Afetou muito, porque a grana diminuiu e o custo de vida só aumenta. Em tv e cinema estou vendo muitos amigos perderem seus trabalhos, assusta. A instabilidade do mercado dá um mini pânico. Voltei a ser freelancer, e com a redução brusca nos valores dos cachês houve um impacto direto no orçamento de casa. Pra tentar fazer as contas fecharem você tem que fazer mais projetos, trabalhar mais. Tem que ir atrás, se fazer lembrar. Fiquei quase três anos fora das redes sociais mas não teve jeito e precisei voltar – essa manutenção é um trampo extra, mas se você não dá as caras as pessoas esquecem mesmo. Nessa mesma época o Helder estava trabalhando num projeto de longa duração mas houve uma redução geral no orçamento da empresa e eles fizeram cortes, então de uma hora pra outra nos vimos mais apertados ainda.

Erosdita: A crise pode afastar ou fortalecer ainda mais o casal. O que tá acontecendo com vocês?

Helder & Camilla (também respondemos misturado, vira um debate e a gente não consegue dissociar quem disse qual frase depois…): Acabou aproximando os dois, porque nós juntos somos mais fortes pra encarar. Achamos que, se não existe amor de verdade e uma vontade real de continuar juntos, é difícil segurar as pontas. Quando se fala em casal se pensa numa unidade mas geralmente não se leva em conta que são duas pessoas, dois indivíduos.  A falta de grana mina individualmente os componentes desse casal, de maneiras diferentes – nos referimos à dificuldade financeira mesmo, não só à crise mundial nem à nossa tupiniquim aqui. Já estivemos dos dois lados da moeda. De férias sem preocupação é fácil fazer declarações apaixonadas e curtir a vida juntos, tudo muito lindo e bronzeado. Mas é na crise que o amor se consolida.

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Erosdita: Que dicas vocês dão para ajudar outros casais a superarem essa crise sem perder o bom-humor e o tesão?

Camilla: As pessoas são muito diferentes e cada casal tem um jeito, mas para nós acho que a resposta está aí mesmo: o bom-humor, o tesão e a comunicação são a melhor saída pra enfrentar qualquer coisa.

Erosdita: O mercado de produtos eróticos brasileiro registrou uma alta apesar da crise. É que, em vez de sair pra restaurantes e baladas, as pessoas têm ficado em casa pra economizar e têm investido em produtos eróticos pra quebrar a rotina. O que vocês acham disso? Que adaptações e mudanças vocês têm feito no dia a dia pra economizar?

Helder: Acho que o ser humano precisa de divertimento, de uma válvula de escape, é natural. Aqui a gente adaptou tudo, reduziu compras, faxineira, tv a cabo e até gastos com lazer e restaurante. Como não conseguimos mais comer fora na frequência que gostaríamos estamos aprendendo a cozinhar cada vez melhor aqui em casa. Tem um envolvimento pessoal nosso, vira um evento – a gente coloca um som, cozinha, come bem e gasta um terço ou menos do que gastaria fora, além de que é massa comer o que a gente mesmo cozinhou,  juntos e curtindo.

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Helder & Camilla dão a dica: “O bom-humor, o tesão e a comunicação são a melhor saída pra enfrentar qualquer coisa”.

Erosdita: E o futuro do Casal na Crise? Será que vira livro e ajuda a engordar o orçamento do casal?

Camilla: Puxa, realmente não sabemos. Nós começamos de brincadeira, sem grandes pretensões, e ainda estamos experimentando linguagem, formato, temas. Temos muitas ideias e muitas coisas que ainda queremos dizer, e saber que tem tanta gente curtindo é uma surpresa ótima, um estímulo. Mas é cedo pra pensar em publicar ou algo assim, porque qualquer preocupação em estabelecer regras agora pode engessar criativamente a tira, e aí a gente perderia total o tesão, ela deixa de ter por que existir.

Erosdita: Faltou perguntar algo? Falem livremente o que quiserem acrescentar!

Camilla: Acho que por enquanto é isso. Obrigada pelo convite! Uma honra participar do Erosdita e poder falar sobre nosso trabalho aqui.

Erosdita: A honra é minha! Vida longa ao casal e vida curta à crise (porque merecemos, além de sexo, mamão papaya e cerveja gourmet)!

FONTE: BLOG EROS'DITA'

FC – 25/10/2015

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