A alta do dólar é um dos principais motivos da instabilidade econômica pela qual passa o Brasil. Com cotação acima dos R$ 4 as empresas brasileiras já sentem o impacto por conta da dependência de importação de matéria-prima, componentes e produtos manufaturados. Na prática, o principal afetado é o consumidor comum, sobretudo os mais pobres, aqueles que, certamente, nunca pegaram numa cédula da moeda americana.

O pão produzido no Brasil é dependente das exportações de trigo, cuja tabela é baseada em dólar. "A produção nacional não consegue suprir nem 20% da demanda dos donos de padaria", diz Paulo Pereira, presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Estado de Pernambuco. "Já tivemos um aumento este ano de cerca de 10% por conta também do aumento da energia elétrica e outras variantes." 
 

 

No setor de eletroeletrônicos, o dólar já está afetando os negócios de empresas brasileiras. É que produtos como televisores possuem cerca de 80% de componentes importados. "O mercado já percebe uma queda de até 37% nas vendas de TV. Trabalhamos com a perspectiva de um ano mais difícil que o ano passado", diz Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). 
QUEM GANHA – O dólar em alta é muito ruim para o bolso do consumidor, mas também tem suas vantagens. Ganham os exportadores que passam a lucrar mais ao vender para outros países. O chamado produtor altamente nacional, aquele que usa matéria-prima e mão de obra nacional e vende para o mercado interno, também irá se beneficiar. "O produto poderá ficar mais competitivo em relação aos importados, que estão mais caros", diz Monteiro. 
 
O turismo nacional é outro beneficiado. Como ficou mais caro viajar para o exterior, muitas pessoas estão optando por conhecer o Brasil, o que gera estímulos econômicos no mercado local. "Além disso aumenta a procura do Brasil como destino de estrangeiros. O turista de fora tem muitos incentivos para vir para cá", diz Tiago Monteiro. 
 
QUEM PERDE – Segundo Tiago Monteiro, na nossa atual situação, a moeda brasileira vai perder em poder de compra. "O consumidor vai perder seu poder aquisitivo e o Brasil deixará de ser interessante para o investidor, que em geral é muito sensível às incertezas da economia." 
 
E os mais afetados serão os mais pobres, uma vez que a renda ficará ainda menor por conta da alta dos preços. A alta do dólar também interfere na inflação e faz com que o consumo diminua e, com isso, a produção. "A alta do dólar não é uma causa, mas uma consequência. Com a recessão, queda das avaliações por parte das agências de risco e instabilidade política, o Brasil deixa de ser interessante para os investimentos", ressalta o economista. 
 
Assim como a alta do dólar não é bom para a economia, a cotação em baixa também não. O economista faz uma previsão do que seria o ideal. "Acredito que o dólar na casa dos R$ 3 seria o ideal tanto para o consumo quanto para a lucratividade da indústria". E vai subir mais? "Sim. A expectativa é que a cotação tenha uma subida nos próximos meses, passando dos R$ 4,50". Tudo vai depender de uma conjunção de fatores, que no caso do Brasil, ainda é incerto. "A situação só irá se reverter caso o Brasil mostre mais segurança para o investidor." 
Fonte: G1
Fernando Cunha

 

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