Projeto original previa complexo de R$ 1,8 bilhão. Imagem: Divulgação

Projeto original previa complexo de R$ 1,8 bilhão. Imagem: Divulgação

 

A propósito deste novo capítulo na Arena Pernambuco, nesta sexta (14), este post reúne parte de minhas reportagens no JC sobre o lado financeiro desse complicado contrato, nos últimos anos. A lista serve como uma linha do tempo para entender como e quando vieram a público questões que hoje são muito conhecidas sobre as contas da Arena. Mas foram anos de trabalho. As reportagens foram produzidas quando eu era repórter na equipe de economia, do Jornal do Commercio.

 

A lista começa pelos temas mais antigos até os mais recentes. Clique nos títulos, que são links, para ler os originais.

 

1) MP QUESTIONA MODELO DE NEGÓCIOS DA ARENA DA COPA

Data: 28 de abril de 2011

Uma das primeiras reportagens sobre o que seria o grande problema da Arena Pernambuco, um contrato do governo com a Odebrecht assinado em dezembro de 2010. Quatro meses depois, Ministério Público e Tribunal de Contas da União já apontavam como “pontos críticos” do contrato a transferência total dos riscos do negócio para o Estado e recomendavam mudanças.

 

2) UPE ESTUDA CAMPUS PARA VIABILIZAR A CIDADE DA COPA

Data: 18 de maio de 2012

O contrato de Parceria Público-Privada (PPP) não era apenas para a Arena Pernambuco, mas para toda uma Cidade da Copa, lembra? Em tese, seria um complexo com shopping, hotel, escritórios etc, um investimento de R$ 1,8 bilhão. Mas como a crise mundial se agravava, cadê empresa para investir? Aí o governo avaliava a curiosa solução de uma PPP dentro da outra para viabilizar a Cidade da Copa, um campus da UPE. O parceiro que estudava o projeto era de novo a Odebrecht.

 

3) ESTADO VAI BANCAR CUSTO EXTRA NAS OBRAS DA ARENA DA COPA

Data: 23 de maio de 2012

O contrato teve um atraso de seis meses para ser assinado. Com isso, o governo determinou que a Odebrecht corresse para compensar o atraso e “antecipar” as obras a tempo da Copa das Confederações, mesmo sem saber quanto isso custaria. Foi um verdadeiro “cheque em branco”. Desde essa época, já se sabia que o custo da Arena Pernambuco não era mais o original, de R$ 532 milhões.

 

4) CONSTRUÇÃO DA ARENA TEM ALTA MULTIMILIONÁRIA

Data: 23 de maio de 2013

A Odebrecht já começava a cobrar a fatura pela “antecipação” das obras. Na reportagem, às vésperas do evento esportivo, governo admitia que orçamento da Arena Pernambuco seria superior aos R$ 532 milhões previstos originalmente, mas não divulgou o valor, que seria da “ordem de grandeza” de R$ 650 milhões. Por isso a imprecisão.

 

5)  NA FALTA DE JOGOS, ESTADO PAGA A FATURA

Data: 28 de maio de 2013

A reportagem revelou aditivo não divulgado pelo Estado. Foi assim que o público descobriu como o governo, após se obrigar a levar Náutico, Santa Cruz e Sport para São Lourenço da Mata, desistiu de garantir os jogos e deu uma garantia em dinheiro à Odebrecht, uma receita mínima à concessionária de R$ 36,6 milhões por ano (em valores da época).

 

 

6) PRONTO. GOVERNO ADMITE REVISÃO COMPLETA DO PLANO DE NEGÓCIOS

Data: 4 de julho de 2013

A bagunça ficou tão grande nas contas da Arena Pernambuco que o governo contratou uma consultoria para rever todo o plano de negócios. Claro, esperou passar a Copa das Confederações para o assunto não pipocar na imprensa internacional.

 

7) COM UM ANO PRONTA E ÀS VÉSPERAS DA COPA, SEGUIA O MISTÉRIO: QUANTO CUSTOU A ARENA?

 

Data: 11 de março de 2014

No aniversário de 1 ano da obra pronta, reportagem recorre à Lei de Acesso à Informação e questiona o governo sobre custo real das obras. A resposta? O Estado só falou do custo inicial e alegou que não sabia o novo. Simples assim.

 

8) VERBA DO CHAPÉU DE PALHA PARA A ODEBRECHT

 

Data: 5 de fevereiro de 2014

O óbvio começou a acontecer: sem jogos suficientes na Arena, governo começou a pagar “indenização” à Odebrecht, a garantia em dinheiro prometida em lugar dos jogos. No estica-e-puxa do orçamento, o então governador Eduardo Campos (PSB) teve o constrangimento de ver o emblemático programa social de seu avô, o ex-governador Miguel Arraes, ser encolhido para o dinheiro bancar parte do contrato com a Odebrecht.

 

9) GASTO COM O FUNCIONAMENTO SOBE 18 VEZES COM RELAÇÃO AO PREVISTO

Data: 11 de junho de 2014

Começou a explosão de gastos para manter a Arena Pernambuco funcionando. Enquanto previsão era de R$ 5 milhões por ano em dinheiro público, orçamento já chegava a R$ 90 milhões só em 1 ano.

 

10) MUNDIAL TERMINA SEM CIDADE DA COPA

Data: 7 de julho de 2014

Até que era meio óbvio, né? Mas a reportagem veio registrar que, apesar da previsão original ser de R$ 800 milhões para um hotel, centro de convenções e até uma Arena Indoor estarem prontos até 2014, só saiu mesmo a Arena Pernambuco.

 

BÔNUS: O ADEUS À CIDADE DA COPA

Data: 1° de março de 2015

Já em 2015, depois de assumir a coluna de política do JC, analisei a decisão do governador Paulo Câmara (PSB) de determinar uma revisão completa no contrato, inclusive o que pode levar a uma rescisão. Fiz a análise jurídica da situação para mostrar como o contrato tem uma brecha que sempre permitiu à Odebrecht a possibilidade de não fazer a Cidade da Copa sem uma sanção clara.

 

Fonte: JC – BLOG PINGA-FOGO – GIOVANNI SANDES

FERNANDO CUNHA  – 15.08.2015

GERALDO ERA PRESIDENTE E PAULO VICE NO COMITÊ GESTOR DE PPPS, ALVO DE BUSCA DA PF EM OPERAÇÃO NA ARENA PERNAMBUCO

 

 

 

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