Arco Metropolitano é vítima do ciclo político do atraso.

 

Dilma - Guga Matos

CONTRADIÇÃO Dilma anunciou ontem ideia de Eduardo ignorada por ela há anos: completar a rodovia federal com uma concessão. Foto: Guga Matos / JC Imagem

O discurso da presidente Dilma Rousseff (PT) desta terça (28), na Jeep, revelou o atraso político do Arco Metropolitano. Não está claro se o motivo foi ideológico ou partidário. Porém, Dilma apresentou como solução para a outra metade da obra exatamente aquilo que o ex-governador Eduardo Campos (PSB) propôs a ela para destravar o projeto em 2012: uma concessão na rodovia.

Pode parecer um tema econômico, porém é muito mais político do que soa. Por anos, o PT vilanizou as concessões. E por razões eleitoreiras privatização virou “crime” tucano.

Eduardo pensou em um pedágio estadual. Contudo, o projeto não se bancaria só. Exigiria um suporte dos cofres públicos, conceito básico das parcerias público-privadas (PPP). Então, em agosto de 2012 Eduardo foi à ministra do Planejamento na época, Miriam Belchior. É que o governo do PT afinal falava em um programa de concessões. Seria perfeito incluir nele o Arco. Eduardo, no entanto, ouviu que Dilma não faria um pedágio na área do Grande Recife.

Por coincidência, ao menos, ali começava a trajetória da candidatura presidencial de Eduardo. E em março de 2013 Dilma anunciou o Arco como obra pública, ao contrário do que pedia o governador. De lá para cá o projeto travou, a Jeep ficou pronta e o Grande Recife engarrafou. Ontem veio Dilma dizer: a solução do Arco, agora, é concessão.

A saída simboliza o atual vazio no caixa federal. E também que, se não foi intriga com Eduardo, Dilma não mudou: para ela, concessão boa é quando falta dinheiro público. Sem o governo acreditar de fato nessa alternativa, é questão de tempo até lá na frente o Brasil sair da crise e, contraditoriamente, viver um novo ciclo do atraso.

Fonte: NE10 – 01.05.2015

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