Dá medo do comportamento do PT
Petistas se comportam como se tivessem perdido as eleições. É difícil achar futuro nisso aí

Gabriel Garcia – Do blog do Noblat

 A propósito da disputa Dilma Rousseff x Aécio Neves, um jornalista lembrou que Otto Von Bismarck dizia que nunca se mente tanto quanto na véspera de uma eleição ou depois de uma pescaria. Outra coisa que me ocorre é que o PT é um partido muito bom para ganhar, mas péssimo para aplicar um programa de governo, porque mente até não poder mais, e depois não sabe o que fazer. Tem que chamar o PSDB para lhe dizer como fazer isso.

Ou seja, o PT não tem software de política econômica, não tem cultura de administração pública, não tem convicção a respeito de responsabilidade fiscal. Ninguém precisa se aborrecer com essa coisa tão óbvia. Todo mundo sabe disso. E é o próprio partido quem diz. É bom de marketing, de rave, de alopragem. A cara do Lula, verseiro típico, como diria um argentino. Sabe falar, da boca pra fora, não sabe fazer. Sem um tucano por perto não vai longe.

Ao vencer as eleições em 2002, o que fez Lula? Chamou um tucano, Henrique Meirelles, para fazer o que tinha que ser feito, e pagou um curso de cordon bleu tucano para Antonio Palocci, o mais tucano dos petistas, para ajudar. Deu certo. Como Dilma tem mania de autossuficiência, achou que podia deixar pra lá essa parte da receita. Deu no deu. Foi preciso chamar um tucano outra vez, e aí está o ministro da Fazenda Joaquim Levy.

Agiu assim, entre outros motivos, porque o senador Aécio Neves fez uma boa campanha – não insultou Marina, lembrou as realizações tucanas, mostrou os erros ululantes do Dilma 1 e, sobretudo, deu a receita da solução para os problemas que ela criou. Eis aí o seu erro. Dilma não só fabulou a respeito de propostas que nunca teve quanto tomou o discurso tucano.

A diferença é que dessa vez o eleitor percebeu o truque e votou para acabar com ele. Claro que Dilma ganhou, por 1,5 milhão de votos (e não por 3 milhões. 3 milhões é o número bruto, mas bastaria Aécio ter tirado metade da diferença que já empataria. Aí, quem tivesse 1,5 milhão mais 1, ganharia, também), mas o que levou foi muito problema para casa. Os que já tinha e uns novos. Como o sarapatel político de sua base de apoio e a ultrajante derrocada da Petrobras. Não é à toa que a presidente comporta-se como uma derrotada.

As energias do partido, do governo, dos militantes, dos aliados deveriam estar concentradas num brainstorming destinado a encontrar uma saída para a usina de confusões que será 2015. Mas dedicam-se todos eles a se engalfinhar nas CPIs, na mídia, nos pedidos de missão à presidente, nas ruas, nas repartições, nas redes sociais. Comportam-se como se tivessem perdido as eleições. É difícil achar futuro nisso aí. Dá medo.

Fonte: Blog do Magno – 26/12/2014

Fernando Cunha

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *