Monthly Archives: abril 2017

 

Solidão abre caminho para a depressão e essa rima é um veneno

 

O tempo vai passando e o círculo de amigos diminui. É mais comum ir a enterros do que a festas de aniversário. Uma rima que faz mal: no rastro da solidão, vem a depressão. Nos Estados Unidos, um estudo com 1.600 idosos, realizado entre 2002 e 2008, mostrou uma relação estreita entre solidão, declínio funcional e morte entre adultos acima dos 60 anos.

 

Para se ter ideia da magnitude desse dado, segundo estimativa do censo americano, acima dos 75 anos, 25% dos homens e 46% das mulheres vivem sozinhos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, pelo menos 300 milhões de pessoas sofrem de depressão no planeta. As mulheres são mais afetadas pela doença que os homens e, considerando-se que vivem mais, a velhice prolongada também as transforma em vítimas em potencial. Como quebrar esse círculo vicioso? Filhos, parentes e cuidadores podem ajudar a combater o isolamento e a depressão: dependendo do grau de independência e autonomia do idoso, há muito o que fazer.

 

Na campo social e afetivo, a rede formada pela família e pelos amigos é um grande antídoto contra a sensação de estar se sentindo deixado de lado, isolado, sem companhia. Por isso o estímulo para uma maior interação social é tão importante: de fazer visitas a frequentar eventos comunitários. Criar um senso de propósito, de engajamento ou pertencimento também tem efeitos benéficos. Pode ser um hobby, como tricotar ou jogar cartas, ou se tornar voluntário resgatando algum talento ou expertise. As pessoas diferem muito umas das outras, por isso é preciso exercitar a sensibilidade para achar a “chave” certa. Muitas vezes, um animal de estimação pode ser mais que uma companhia – o idoso voltará a se sentir responsável cuidando do bicho. No caso de limitações mais severas, até plantas podem exercer esse papel.

 

Manter o idoso fisicamente ativo é fundamental: caminhar já é uma vitória, mas por que não aulas de ioga e tai chi chuan? Há, por exemplo, opções com preços acessíveis em unidades do Sesc, presentes em muitas cidades. Ainda nos cuidados físicos, não abrir mão de uma dieta balanceada, rica em fibras, frutas, legumes, verduras (levemente cozidos) e grãos. A perda de apetite pode ser um sinal de depressão e não deve ser ignorada. Osdistúrbios de sono também podem agravar um quadro depressivo. Sonecas à tarde atrapalham o descanso e, definitivamente, ficar diante da televisão até de madrugada também faz mal. Pacientes com demência ou Alzheimer podem apresentar um quadro de agitação no começo da noite, comportamento conhecido como “sundowning” – porque ocorre quando o sol se põe. Uma rotina com mais atividades durante o dia pode ajudar, assim como aumentar a iluminação da casa ao entardecer para que o idoso não sinta tanto a diferença, ensina o site dailycaring.com.

 

No caso de mudanças de comportamento, não se deve perder tempo: é necessário buscar ajuda profissional. Dependendo do caso, será preciso um serviço de apoio para um monitoramento mais de perto. Uma questão delicada é checar os remédios que são tomados, porque um progressivo comprometimento cognitivo pode levar o idoso a esquecer de tomar o medicamento ou ingerir uma quantidade excessiva de pílulas. Mas uma dica não tem contraindicação: sempre mostrar que eles são amados.

Fonte: G! -16/04/2017

Fernando Cunha

 

Brasileiro gasta 5 meses de trabalho para pagar impostos. E onde está o retorno?

A reforma tributária está em pauta no governo, mas pelo que já foi dito até agora, o sinal dado à população é de que não existe intenção em reduzir a carga tributária, pelo contrário, temos o risco de ver uma carga maior no futuro próximo.
 
Além da notícia não agradar a ninguém, isso reforça o peso cada vez maior dos impostos no bolso da população ao longo dos anos. E não falo isso apenas por "sensação" de que a pressão está maior, a carga tributária brasileira realmente vem crescendo de um modo assustador ao longo do tempo. 
 
Basta observar o quanto o brasileiro precisa trabalhar por ano para dar conta da carga tributária. Um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra a evolução do peso dos tributos ao longo do tempo. Na gestão de Fernando Collor, por exemplo, o brasileiro precisava trabalhar 3 meses inteiros somente para pagar a carga tributária.  
 
Da gestão de Itamar Franco até Fernando Henrique Cardoso, o tempo de trabalho para cobrir a carga tributária cresceu gradativamente para 4 meses. Nos anos entre Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff o tempo de trabalho saltou para 5 meses. Em 2016, o brasileiro precisou trabalhar 5 meses e 1 dia para conseguir arcar com a carga tributária do país. Em comparação à década de 1970, por exemplo, o tempo de trabalho para cobrir os tributos dobrou. Somente entre 2015 e 2016, houve elevação em dez impostos. O estudo completo com a evolução dessa carga tributária pode ser conferido aqui. 
 
Do ponto de vista histórico, a cobrança de impostos existe desde os tempos bíblicos. Em tese, a criação visava uma relação de troca que garantisse o bem-estar social. As pessoas pagariam seus tributos ao Estado e, em troca, receberiam o amparo necessário para ter saneamento, segurança, saúde, educação, entre outros. 
 
Do ponto de vista teórico, a relação é justa, mas na prática nem todos os países estabelecem isso de uma maneira eficiente. A Dinamarca e a França, por exemplo, estão entre os países que mais cobram tributos da população – a carga, inclusive, supera a do Brasil. No entanto, o retorno desses impostos para a população é muito maior do que aqui
 
Além de lidarmos com uma carga tributária crescente, o país ainda tem uma péssima qualidade de serviços. Falta investimento em logística para baratear os custos de produção, a qualidade do transporte público é ruim, falta saneamento decente principalmente nas regiões periféricas, falta qualidade na saúde pública e na educação, e a questão da segurança pública é calamitosa. Basta ver a situação da criminalidade em grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, além da crise carcerária que recentemente foi amplamente divulgada pela mídia. 
 
Desde o agravamento da crise econômica, o governo bate na tecla de que é preciso aumentar a arrecadação para a retomada da economia. No entanto, com uma das maiores cargas tributárias do mundo e sem o retorno desses tributos para a sociedade, fica difícil acreditar que essa saída é interessante.    

Fonte: g1 – 02/04/2017

Fernando Cunha