Monthly Archives: novembro 2015

A mortalidade de crianças indígenas

A sentença é clara. Nascer em uma aldeia aumenta em duas vezes a probabilidade de morrer antes de completar 1 ano. Se for xavante ou ianomâmi, pior ainda – as chances de sobreviver até os 5 anos são quase nove vezes menores. Entre principais motivos estão fome, diarreia, desnutrição, miséria e condições precárias de saúde e de saneamento

 

Por Maria Clara Vieira – atualizada em 03/11/2015 19h07

Mato Grosso. Terra Indígena Marechal Rondon. Aldeia Darcy Bethania, bem no coração do Brasil. É nesse pequeno ponto do mapa que vive a professora xavante Eliadina Pedzadarutu’o, 29 anos. Entre seus poucos pertences, ela tem dezenas de livros. É mãe de dois filhos e de uma grande saudade.

A miúda Giselli, 2 anos, prostrada por causa de uma gripe, é a caçula. O mais velho, um menino, teria hoje 5 anos de vida, mas só existe na memória dos pais. Aos nove meses de gestação, a mãe sentiu as dores do nascimento. Tentou parir na própria aldeia. Não conseguiu.

 

Sem médicos por perto, ela enfrentou quase duas horas de dor em uma viagem por estrada de terra, com carro emprestado, até a cidade mais próxima, Paranatinga (a 255 quilômetros de Cuiabá, em linha reta). Não deu tempo. Quando finalmente conseguiu ajuda médica, era tarde demais. A criança nasceu morta.

O bebê de Eliadina não entrou nas estatísticas de mortalidade infantil, porque, para isso, é preciso nascer vivo. Mas chegar ao mundo com vida, para essa população, não é garantia de muito.

Nascer indígena no Brasil significa ter duas vezes mais probabilidade de morrer antes do primeiro ano de vida do que as outras crianças, segundo dados recentes do Unicef.

E, se nascer xavante ou ianomâmi, está fadado a sina pior: nessas etnias, a mortalidade de crianças até os 5 anos é quase nove vezes maior do que a média da população brasileira.

Fome, miséria, diarreia, desnutrição, falta de saneamento básico e assistência precária de saúde são só algumas das explicações para esse triste retrato. Os números falam por si.

Nos últimos 25 anos, ressalva seja feita, o país teve conquistas importantes: atingiu as metas de redução tanto da mortalidade infantil (até 1 ano) como da infância (até os 5 anos). No início da década de 1990, a cada mil crianças nascidas vivas, 61 morriam. Hoje, são 16.

Os dados são dignos de comemoração, mas não refletem a realidade de todos os cantos do Brasil. De fato, as taxas caíram nas grandes cidades. Porém, nas comunidades mais isoladas, como as aldeias, ainda acontecem muitas mortes.

No ano passado, 785 crianças indígenas morreram em território nacional. De todas as etnias, os xavantes (MT) tiveram o maior número de lutos: 116 crianças de até 5 anos não sobreviveram. Depois, vem o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Maranhão (que reúne mais de dez povos), com 71 mortes.

Em números absolutos, o problema não assusta tanto. Mas quando se aplicam as proporções, a realidade é chocante. A cada mil nascidos vivos nas comunidades xavante ou ianomâmi (que vivem no Amazonas e Roraima), por exemplo, 141 não chegam vivos aos 5 anos de idade. É pior que as taxas de países como Somália (137), Serra Leoa (120) e Nigéria (109).

infográfico  (Foto: Amanda Filippi)

“A população brasileira acha que os indígenas estão muito bem, obrigado. Mas não estão. Eles representam uma parcela pequena da sociedade, são fragmentados em mais de 300 etnias, que falam centenas de línguas diferentes. Por isso, não têm o poder necessário para fazer pressão social e política. São uma minoria invisível”, diz Cristina Albuquerque, chefe do Programa de Saúde do Unicef.

Na revista CRESCER deste mês, que está nas bancas, você confere reportagem completa sobre a infância das crianças nas aldeias. Aqui no site, um especial com diversos especialistas sobre a situação dos indígenas.

Fonte: G1 – 03/11/2015

Fernando Cunha

 

UM NOVO MODELO DE EDUCAÇÃO 

Durante anos, a educação foi baseada apenas na transmissão de conteúdo do professor ao aluno. Restrita apenas ao conhecimento que o mestre detinha. Entretanto, a evolução de tecnologias, as necessidades humanistas e o incentivo para que mais estudantes buscassem conhecimento fizeram com que o modelo adotado para educação ficasse obsoleto.

O mundo mudou muito, mas a educação, as instituições e profissionais ainda não estão acompanhando tais mudanças. A sala de aula tradicional, apenas com quadro negro, professor e alunos tornou-se insuportável para os jovens, sedentos de conhecimentos. A sala de aula se ampliou e aquele modelo convencional, centralizado no professor e com pouca tecnologia já não surte mais efeito.

É preciso inovar, mesclar a sala de aula com outros espaços físicos, inclusive virtuais, tornando possível que qualquer local seja um lugar capaz de ensinar e de aprender, a qualquer momento e em qualquer situação. Esse é o diferencial de novos modelos de educação, que desenvolvem o ambiente pessoal de aprendizagem de alunos e professores, promovendo o enriquecimento mútuo.

O desafio educacional na era moderna se tornou outro: formar indivíduos que aceitem desafios e sejam, cada vez mais criativos. Sem dúvidas, esta não é uma tarefa fácil e pode ser pautada em quatro princípios fundamentais: é mais importante aprender do que ensinar; o conhecimento é inter e multidisciplinar; é preciso estimular uma comunidade acadêmica de diversas formas e o incentivo às publicações científicas tem o intuito de alavancar o conhecimento e não apenas ficar restrito ao currículo dos professores.

O ambiente físico das salas de aula e da escola como um todo também precisa ser redesenhado dentro desta nova concepção mais ativa. As salas de aula podem ser mais multifuncionais, que combinem facilmente atividades de grupo e individuais. Os ambientes precisam estar conectados.Capacitar coordenadores, professores e alunos para trabalhar mais com metodologias ativas, com currículos mais flexíveis, com inversão de processos também são ações que precisam ser adotadas.

Quando falamos e pensamos em educação, não podemos ser xiitas e defender um único modelo, proposta e caminho. O mundo muda. Trabalhar com modelos flexíveis que propõem a solução de problemas e desafios, com projetos reais, com jogos e com informação contextualizada, equilibrando o papel de professores e alunos, é o caminho mais coerente e que pode ser planejado e desenvolvido de várias formas e em contextos diferentes.

Instituições que conseguem unir essas caraterísticas, oferecendo opções de campus global, com currículos elaborados para ensinar competências em diversas áreas, fazem com que seus estudantes atinjam um nível de excelência, sendo capazes de superar os desafios e promover a integração social, o desenvolvimento regional e a excelência acadêmica. 

FONTE: LEIAJÁ – JANGUIÊ DINIZ (Presidente do grupo Ser Educacional) – 03/11/2015

FERNANDO CUNHA